Sarau do dia 24 julho com a presença de Emerson Alcalde com livro (A) MASSA

Mostrando postagens com marcador Dinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dinha. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Projeto de habitação pra quem???





Acima, matéria que saiu na revista da Secretaria Municipal de Habitação de SP - intitulada "RENOVA SP" edição nº 03, do mês de outubro, pág 06, o projeto de urbanização que será realizado nas margens do córrego ( Ribeirão dos Meninos) que passa pela Vila Liviero, Pq Bristol e Jd São Savério e que será removida todas as famílias para onde e como???


Acreditamos que o máximo de famílias precisam conhecer esse projeto (mirabolante) da prefeitura para que seja feita uma discussão e negociação da população com a prefeitura. 

Sabemos que já têm alguns encaminhamentos, onde Terno, Dito entre outros estão na luta para essa negociação, mas é de suma importância nosso envolvimento.
Agradecemos divulgação em suas redes


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Quem leu, leu. Quem não leu. Leia. Vale a pena.


VOCÊ SABE O VALOR DA LEITURA?

Quando então aprendi a ler, o mundo se abriu de uma vez. E era pequeno demais para mim. Por Dinha [*]

Quem de nós sabe o valor da leitura? Posso dizer que sei. Ainda pequena, vivi as histórias de lobo e fantasma, de riso e de solidão, através das incansáveis narrativas de meu irmão, apenas dois anos mais velho que eu. Foi no espanto dessas histórias que eu, pela primeira vez, conheci o gosto de aventura em lugares distantes, com pessoas longínquas, em situações inusitadas, vampiro sonhando manhãs de sol.
Eu lia sem ler, ouvindo apenas - e vendo em meu irmão o brilho de entusiasmo e a satisfação em contar histórias, que só os grandes contadores de história têm. Quando, aos sete anos, entrei na escola, e as letrinhas juntaram-se em palavras e em sílabas - para mim, algumas delas nunca foram sílabas, foram sempre cachorros latindo, amigos se cumprimentando, reis ascendendo aos tronos, sapos, macacos e sherazades, explosões de significados, amor descoberto aos poucos.
Quando então aprendi a ler, o mundo se abriu de uma vez. E era pequeno demais para mim: o córrego [riacho] sujo, o barraco apertado e suspenso, para driblar as enchentes, a comida contada. Iniciada a leitura, apenas o amor da mãe prosseguiu (tão imenso quanto as esperanças que ela depositou em mim). Todo o resto perdeu a cor, dissipou-se, precisou ser reescrito.
Empodeirada de leitura, ganhei o mundo, estudei na melhor universidade do país, tornei-me poeta e professora. E se o mundo não me ganhou, foi porque desenvolvi meu senso crítico, fortaleci meu senso de proteção e encontrei alguém que me ajuda a ressignificar o mundo, cotidianamente.
Espalha-Leitura
Eu sei o valor da leitura e sei que no Brasil ele ainda é pequeno.
parque-bristolEmbora os governos invistam minimamente em programas como o “Minha Biblioteca”, que distribui títulos, gratuitamente, a alunos da rede municipal, ou o “Uma biblioteca em cada município”, do governo federal, o acesso aos livros em nosso país, especialmente nas periferias das grandes cidades, permanece escasso. No Parque Bristol, zona Sul de São Paulo, por exemplo, a biblioteca pública mais próxima fica a R$2,70 de distância, 30 minutos de ônibus, ou uma hora e meia a pé. E pode custar o dobro, se o leitor desejar voltar para casa após o passeio. Na Cidade Tiradentes, uma imensa área residencial, com alto índice de vulnerabilidade social, na Zona Leste de São Paulo, há apenas uma biblioteca e ela é comunitária - só existe enquanto o Núcleo Força Ativa, um grupo organizado da região, puder mantê-la. Como no Parque Bristol, que também tem sua biblioteca comunitária, o acesso a esse bem cultural depende não da ação obrigatória do governo, mas da boa vontade e da insistência política de cidadãs e cidadãos comuns.
Gente comum, esforços incomuns
forcaativaUm amplo coletivo começou a ser formado em 2006, durante um encontro sobre bibliotecas comunitárias, no Itaú Cultural. Lá estavam eu, duas professoras universitárias - uma das quais era, na época, doutoranda pela Universidade de São Paulo e cuja tese abordava o tema das bibliotecas comunitárias, enquanto prática social no Brasil -, o Núcleo Cultural Força Ativa e outras organizações sociais envolvidas com o tema. A minha função, na ocasião, era apresentar a Livro-pra-que-te-quero (nossa biblioteca, gerida pelo Poder e Revolução, o “arquipélago urbano”) e as nossas estratégias de “espalha-leitura”.
Tempos depois, uma das professoras nos procurou para conhecer melhor a nossa experiência e certificar-se de que ela se encaixava em seu estudo acerca das bibliotecas comunitárias.
Aparentemente, ela gostou tanto do que viu, ali e em outros tantos espaços pelo país afora, que entendeu ser importante a realização de um encontro nacional de bibliotecas comunitárias, enquanto estratégia de fortalecimento destas iniciativas, de modo a aumentar sua visibilidade e promover trocas capazes de aumentar o acesso aos livros no país e contribuir para a formação de leitores. A seu convite, foi formado, então, um coletivo com vistas ao planejamento e execução deste encontro.
Primeiro Encontro Nacional de Bibliotecas Comunitárias
De 2009 até agora, muitos esforços foram demandados, por parte de todos, para que um encontro entre as bibliotecas comunitárias do país fosse realizado: foram feitas muitas reuniões de planejamento, viagens com gastos do próprio bolso, articulações comunitárias, um projeto foi escrito, um plano de trabalho desenhado, uma rede virtual foi criada e segue funcionando no endereço eletrônico http://www.rbbconexoes.ning.com.br. Além disso, foram feitos vários contatos com possíveis parceiros e patrocinadores da idéia. Muitos domingos de sol foram adiados, em nome desta possibilidade.
scannedimage-8Entretanto, apesar da organização popular em torno da construção deste encontro, apesar de este ter sido um sonho sonhado junto, a realidade esbarrou no preço, na pouca importância que a leitura, estrategicamente, parece ter neste país, e o evento ainda não aconteceu.
Para que ele ocorra, esta luta precisa prosseguir. Por isso, convidamos a tod@s a que engrossem as fileiras em torno da batalha, ora travada, para que os livros, enquanto direito, como bens culturais que são, estejam acessíveis a todos e a todas e para que este encontro, enquanto estratégia de reforço nesta batalha, possa efetivamente acontecer.
Você, sabe o valor da leitura?


[*] Dinha é membro do Núcleo Poder e Revolução, professora da rede pública municipal da cidade de São Paulo, mestranda em Estudo Comparados de Literatura de Língua Portuguesa (FFLCH/USP) e autora do livro De passagem mas não a passeio (Global Editora, 2008)


FONTE:
http://rbbconexoes.ning.com/forum/topics/voce-sabe-o-valor-da-leitura

sábado, 14 de maio de 2011

MORTOS DE MAIO, PARA NUNCA ESQUECER

No dia 14/05/2006, dia das mães, em meio ao caos que se instalou em São Paulo, nós aqui do Parque Bristol assistimos, espantados e tristes, a morte de Fabrício de Lima Andrade, de 18 anos, Edivaldo Soares Andrade, de 24 anos, Israel Alves de Souza, de 25 anos, e, em 05/12 do mesmo ano, a morte do único sobrevivente desta chacina aqui no Bristol: o nosso saudoso, guerreiro e querido Fernando Elza, o Malote, então com 22 anos.
Para que não esqueçamos, nunca jamais, republico alguns poemas e estas poucas linhas que não traduzem a saudade, a tristeza e a nossa indignação com o Estado podre.
Esta guerra tem nos deixado marcas que nunca nunca se apagam.

Notícia de Israel

(Panfleto contra todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família)

I
Anteontem, em algum lugar do passado, eu via uns rapazes negros, bonitos, pintas de rappers ( entretanto dançavam as danças de roda). Tão iguais e tão diferentes dos que ontem morreram nas mãos da polícia. Dos que ontem mataram "os polícia".

Era dia das mães e os tiros entraram nos meus ouvidos ao mesmo tempo em que imagens da gente toda que eu conheço e confio me passava pelos olhos
e rezas – mais com o corpo que com a lógica – me pesavam por cada um deles. Desordenadamente.

Mas, ai, esqueci de alguns!!!
e três mães acordaram sem filhos.
nem dormiram – o que diz mais.
E eu não ouvi notícia em nenhum telejornal.

Em casa, a recomendação: Dinha, não sai de casa, nem volta de madrugada que a polícia ta matando todo mundo.


II
Quem começou essa briga?
Quem está brigando com quem?

"Quem é marginal?
Quem é a lei?".

Polícia contra bandido?
Ou fardados contra sem farda? Como o jogo de "solteiro e casado", no primeiro dia do ano?

Bandido contra bandido.

Israel no meio, às 11.20 da noite, voltando pra casa da mãe.

Explorado contra explorado.

III

Me mandem matar a polícia!

Eu vou, se isso trouxer
Israel,
Sandro,
Aristides,
Luciano,
Márcio,
Cometa,
Buiú
(toda a família de Elisângela)
Edmarcos e
Hilário
(toda os mortos dos CEDECAS)

de volta.

Me mandem matar os bandidos!

Eu vou, se me deixarem
Matar todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família.
Eu mataria capitães do mato
Se eles não fossem de fato
Tão vítimas como são vítimas:
Os policiais fardados,
Os meninos sem camisa,
A mulher de volta pra casa,
Israel, no colo da mãe.

O fuzil de minha palavra
Precisa estar voltado
Pra verdadeira revolução.


15/05/06

Cemitérios Gerais

O nosso tesouro
enterramos
em vilas e jardins.

Três anos depois, o Cachorro
cavuca
o osso

termina de nos roubar.

Outra família enterra
seu ouro
no mesmo
lugar.


CALIBRE 200

"O guerrilheiro é terra móvel
Decisão de liberdade
Na pátria raivosamente escrava"
(Costa Andrade)


Fernando Maloterson (alto!) lidera a lista dos cem.
(Se não qual o outro sentido do pássaro estúpido tomar o teu corpo te por tão no ar?)

Fernando Maloterson (alto!) comanda a lista dos cem.
Bem lá no finzinho, Aristides - o que sonhava ser padre – recepciona os chegantes.

Meninos de exército
novo
assumindo posições.

Por baixo, prossegue essa vida.
Cotidiano instinto de proteção.
Nova milícia
Velha carícia:
a liberdade inscrita
brilhando fria nas mãos.
14/09/07

Ao Mais-Novo caído

Asseguro.
Com certeza pensou no filho.
no menino que seria
o dos teus olhos
pra sempre.
tua mãe também
quando ouviu teu nome
e tiros
pensou no menino dos olhos
dela.
com certeza
lembrou do batismo
bebê no colinho
abandonando, desde cedo,
o pai.

Asseguro.
Pensou na vida
inteira
pela frente
que era sua e queríamos
que vivesse

pensou, talvez, em mim

eu que sangro todo dia
sua vida e sua história
e que endereço a você
meus versos de guerra e de glória
e divido com meus anjos
essa responsabilidade:
garantir tua existência
avançar em tua idade
roubada
até que se prove
o contrário
e você possa

descansar

em paz.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Líder comunitario é espancado por PM´s no Parque Bristol.

Parceiro Terno: ( Organizador  do ESPORTE CLUBE FAVELA, membro de comissão e organização da 2º CAMINHA DA PAZ,  um dos líderes  do MALOCA,  Núcleo  PODER E REVOLUÇÃO e membro do COLETIVO PERIFATIVIDADE, além de MC do grupo PÂNICO BRUTAL).
Guerra é guerra. Durante a contagem regressiva para a Caminhada da Paz
- que será no dia 27/05 - a polícia mostra, ainda uma vez, quem é e a

que veio.


Na última sexta-feira, 06/05, Maciel Mota de Almeida, de 35 anos, uma
importante liderança comunitária da região do Parque Bristol e
arredores, foi pública e brutalmente agredido por policiais da Força
Tática.

Terno, como é conhecido, acompanhava a ação dos PMs que punham fim em
um baile funk que vinha, literalmente, "tirando o sono" dos moradores
da Rua Jorge Morais, Parque Bristol, Zona Sul de São Paulo.

Ironicamente, a vítima havia acabado de postar em seu blog 
(http://futebolrapesamba.blogspot.com) um elogio à ação dos soldados
quando, em uma abordagem surpreendente e truculenta, foi agredido a
socos e revidou. Sua reação causou grande tumulto, pois a população -
vendo o ato de covardia - teria entrado na briga.

O episódio gerou uma denúnica na corregedoria, para os soldados, e um
boletim de ocorrência por desacato à autoridade, para Terno. Veja, na
íntegra, seu depoimento:


De: Du & Dinha